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segunda-feira, 31 de julho de 2017


Podia ser ela mesma, quando estava só. E era isto que precisava fazer com frequência: pensar. Bem, nem mesmo pensar. Ficar em silêncio; ficar sozinha. E toda a existência, toda a atividade, com tudo que possuem de expansivo, brilhante, vibrante, vocal, se evaporavam. Então podia, com uma certa solenidade, retrair-se em si mesma, no âmago pontiagudo da escuridão, algo invisível para os outros.

Virginia Woolf. Ao Farol; tradução de Luiza Lobo. Ediouro, pág. 67.


sábado, 5 de setembro de 2015


Nunca ninguém pareceu tão triste. Amarga e negra, a meio caminho para baixo, na escuridão, no poço que ia da luz do sol às profundezas, talvez uma lágrima se formou; uma lágrima caiu; as águas oscilaram para lá e para cá, receberam-na e ficaram de repouso. Nunca ninguém pareceu tão triste.


Virgínia Woolf




segunda-feira, 2 de junho de 2014


"Sentou-se na terra, agarrando os dois joelhos juntos, e olhou em frente sem ver. Por algum tempo observou uma grande borboleta amarela que abria e fechava suas asas muito lentamente sobre uma pedra chata.
— O que é estar apaixonada? — perguntou depois de um longo silêncio; cada palavra ao surgir lançava-se num mar desconhecido. Hipnotizada pelas asas da borboleta, e aterrorizada pela descoberta de uma terrível possibilidade na vida, ela ficou sentada mais algum tempo. Quando a borboleta voou, afastando-se, ela se ergueu, e com seus dois livros debaixo do braço voltou para casa novamente, como um soldado para uma batalha.

Virgínia Wolff, A Viagem, tradução de Lya Luft

 "O poeta é ao mesmo tempo um leão e um Atlântico. Um nos afoga e o outro nos rói. Se sobrevivemos aos dentes, sucumbimos nas ondas. Um homem que pode destruir ilusões é, ao mesmo tempo, fera e dilúvio. As ilusões são para a alma o que a atmosfera é para a terra. Retirai esse brando ar e a planta morre, a cor empalidece. A terra por onde caminhamos é um ardente rescaldo. É marga o que pisamos, e seixos de fogo queimam os nossos pés. Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata. Quem nos rouba os sonhos rouba-nos a vid."

 Virginia Woolf in Orlando, tradução de Cecília Meirelles

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014



Importava então, indagava consigo, encaminhando-se para Bond Street, importava mesmo que tivesse de desaparecer um dia, inevitavelmente? Tudo aquilo continuava sem ela. Sentia-o? Ou seria um consolo pensar que a morte acabava com tudo, absolutamente?


Virgínia Woolf, Mrs. Dalloway

domingo, 9 de fevereiro de 2014



Ela ficou durante um tempo considerável olhando sem ver a parede em frente, mãos crispadas sobre o coração, a lâmpada da cabeceira acesa ao lado. Todo o pensamento articulado há muito a abandonara; seu coração parecia do tamanho do sol, iluminando seu corpo inteiro, espalhando, como o sol, uma torrente constante de calor.


 Virgínia Woolf, A Viagem

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014


Qual a frase para a lua? E a frase para o amor? Com que nome devemos designar a morte? Não sei. Preciso de uma linguagem reduzida como a dos amantes, palavras de uma sílaba como a que as crianças falam quando entram no quarto e encontram sua mãe costurando e apanham um pedacinho de lã colorida, uma pluma ou uma tira de chintz. Preciso de um uivo; um grito. Quando a tempestade vara o charco e passa por cima de mim, deitado na vala sem ser notado, não preciso de palavras. De nada que seja exato. De nada que baixe com todos os seus pés no chão. De nenhuma daquelas ressonâncias e adoráveis ecos que se quebram e repicam de nervo em nervo em nossos peitos, formando música selvagem e frases falsas. Acabei com a frase.

Virgínia Woolf, As ondas
tradução de Lya Luft

quinta-feira, 26 de setembro de 2013


sábado, 17 de agosto de 2013


"It is in our idleness, in our dreams, that the submerged truth sometimes comes to the top."

Virgínia Woolf

domingo, 14 de julho de 2013


quinta-feira, 11 de julho de 2013


O poeta é ao mesmo tempo um leão e um Atlântico. Um nos afoga e o outro nos rói. Se sobrevivemos aos dentes, sucumbimos nas ondas. Um homem que pode destruir ilusões é, ao mesmo tempo, fera e dilúvio. As ilusões são para a alma o que a atmosfera é para a terra. Retirai esse brando ar e a planta morre, a cor empalidece. A terra por onde caminhamos é um ardente rescaldo. É marga o que pisamos, e seixos de fogo queimam os nossos pés. Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata. Quem nos rouba os sonhos rouba-nos a vida.


Virginia Woolf, Orlando

quinta-feira, 27 de junho de 2013



Virgínia Woolf

quinta-feira, 30 de maio de 2013



"Estou com as mãos ocupadas, por isso vou cumprimentá-los com o coração!"

Virgínia Woolf 

sábado, 25 de maio de 2013



“Love, the poet said, is woman's whole existence.” 

 Virginia Woolf, Orlando 

sábado, 20 de abril de 2013



“Quão melhor é o silêncio; a xícara de café, a mesa. Quão melhor é sentar-me sozinho como a solitária ave marinha que abre suas asas sobre a estaca. Deixem-me ficar sentado aqui para sempre com coisas nuas, esta xícara de café, esta faca, este garfo, coisas em si, eu mesmo sendo eu mesmo. Não venham preocupar-me com suas alusões a que é tempo de fechar a casa e partir. Eu daria de boa vontade todo o meu dinheiro para que vocês não me perturbassem, mas me deixassem ficar aqui sentado, para sempre, silencioso e só.”

Virgínia Woolf, As Ondas

sexta-feira, 22 de março de 2013



“Rosas, pensou, sarcasticamente. Bobagens, minha cara. Pois em verdade, quando se tem de comer, beber e deitar, tanto nos bons como nos maus dias, a vida não tem nada a ver com rosas.”

Virgínia Woolf

sábado, 16 de fevereiro de 2013



"Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata".

Virgínia Woolf

sábado, 8 de dezembro de 2012




“Por isso odeio espelhos que me revelam meu verdadeiro rosto. Sozinha, muitas vezes mergulho no nada. Preciso firmar meu pé fortemente, se não, caio do limite do mundo para dentro do nada. Preciso bater minha mão contra uma porta rija, para me chamar de regresso a meu corpo”

Virgínia Woolf