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segunda-feira, 31 de julho de 2017


afogar-se
às vezes é morrer
em líquidas palavras
que nunca dizemos.

Silvia Chueire



sexta-feira, 12 de julho de 2013




Baixas as pálpebras
para que teus olhos não me vejam.
esqueces que vivo dentro deles

(hesitei tantos séculos
até me aventurar por estes precipícios)


Sílvia Chueire

terça-feira, 9 de julho de 2013

da espera



colhe o meu amor
com a delicadeza que colherias
uma rosa.

eis que te espero há tanto
que pude transformá-lo
na flor nascida no deserto

colhe o meu amor,
se o quiseres, com o encanto
que o perfume desperta
no corpo desolado pela espera

é teu o meu corpo
cultivado para ti
no pequeno espaço de um oásis

se não puderes perceber
saber do desejo que me habita
do afeto já é parte minha

então finge que não me viste
e eu me iludirei à tua espera ainda


silvia chueire

sábado, 1 de junho de 2013

Não sei



Há pessoas que têm as mãos cheias de poemas
e os cabelos e a alma.
- Bordam o dia com os versos mais inesperados –

 Não sei de onde me surgem as palavras
ou o que fazer com elas.
Arranjá-las em meio à angústia
com o dia a bater-me na face.
Não sei.

 Silvia Chueire

quinta-feira, 23 de maio de 2013



a mulher com o medo nas mãos,
na vida é apenas uma chama frágil
a esperar que o mundo lhe consuma
o medo apertado na garganta,
a voz inexistente.

cantam os pássaros,
tudo está aceleradamente de passagem


Silvia Chueire