domingo, 9 de abril de 2017

De tudo que ficou um pouco
Do meu medo Do teu asco
(Carlos Drummond de Andrade)

O que ficou de mim 
além de eu mesma
não o sei.
Nem o diga às crianças
porque no que ficou
a palavra de amor
está de partida

imperceptível sombra
de flor no ramo frágil.

Nem o digas aos homens
Era o rio 
e antes do rio havia areia
Era praia 
e depois da praia havia o mar.
Era amigo
ah! e se tivesse existido
quem sabe ficava eterno

Nada ficou de mim
além de eu mesma.
Tênue vontade de poesia
e mesmo isso

imperceptível sombra
de flor no ramo frágil.


Hilda Hilst