domingo, 6 de abril de 2014




Um rio sustenta a tua boca,
duas margens de água e carne,
duas feridas de um desejo que do corpo se perdeu.

Não fosse a tua boca
água nua esperando um barco
e morreria eu de amar,
e morrerias tu sem mar.


Mia Couto,  poema "Memória de um amor que nunca foi"