Every word was a piece of my heart

sábado, 7 de setembro de 2013


Marcadores: Manoel de Barros
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Que te devolvam a alma
Homem do nosso tempo.
Pede isso a Deus
Ou às coisas que acreditas

Hilda Hilst

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Estás lendo-me. Agora o invisível sou eu,
Agora és tu, compacto, visível, quem intui meus versos e me procura
pensando em como seria feliz se eu pudesse ser teu companheiro.
Sê feliz como se eu estivesse contigo.
(Não tenhas muita certeza de que não estou contigo)

Walt Whitman

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Para a tua dura saudade.
Que tempestade de sede
Nos areais da procura
Quando saíres à caça
De quem te amou. De mim.
À caça do NUNCA MAIS.

- Hilda Hilst

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"Vocês vêem como estou escrevendo à vontade? Sem muito sentido, mas à vontade. Que importa o sentido? O sentido sou eu."

- Clarice Lispector

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Poema é o lugar onde a gente pode afirmar que o delírio é uma sensatez.

- Manoel de Barros

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Felizmente há os versos, último esconderijo da pureza.

- José Luís Peixoto

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Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti

- Ana Luísa Amaral

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Meu medo, meu temor, é se disseres:
Teu verso é raro, mas inoportuno.
Como se um punhado de cerejas
A ti te fosse dado
Logo depois de haveres engolido
Um punhado maior de framboesas.

E dirias que sim, que tu me lembras.
Mas que a lembrança das coisas, das amigas
É cotidiana em ti. Que não te enganas,
Que o amor do poeta é coisa vã.

Continuarias: há o trabalho, a casa
E fidalguias
Que serão para sempre preservadas.
Se és poeta, entendes. Casa é ilha.
E o teu amor é sempre travessia.
Meu medo, meu terror, será maior
Se eu a mim mesma me disser:
Preparo-me em silêncio. Em desamor.
E hoje mesmo começo a envelhecer.

- Hilda Hilst

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Ainda em desamor,
tempo de amor será.
Seu tempo e contratempo.

- Hilda Hilst

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Ouvi: que vossos olhos se inundem de pranto e água de todo o mundo!
Somos humanos e frágeis
mas antes de tudo, sós.


Hilda Hilst

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Antes avara desse tempo que resta.
Se em muitos me perdi, uma que sou
É argamassa e pedra. Guardo-te a ti.
Em consideração a mim. Redescoberta.

- Hilda Hilst

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Há um incêndio de angústia e de sons
Sobre os intentos. E no corpo da tarde
Se fez uma ferida. A mulher emergiu
Descompassada no de dentro da outra:
Uma mulher de mim nos incêndios do Nada.
Tinha o dorso de uns rios: quebradiço
E terroso. O peito carregado de ametistas.
Uma mulher me viu no roxo das ciladas:
Esculpindo de novo teu rosto no vazio.

- Hilda Hilst

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Este é um tempo de silêncio. Tocam-te apenas. E no gesto
te empobrecem de afeto. No gesto te consomem.
Tocaram-te, nas tarde, assim como tocaste,
adolescente, a superfície parada de umas águas?
Tens ainda nas mãos a pequena raiz,
A fibra delicada que a si se construía em solidão?

- Hilda Hilst

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Estou mais do que viva: embriagada.
Bêbados e loucos é que repensam a carne o corpo
Vastidão e cinzas. Conceitos e palavras.

- Hilda Hilst

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Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.

- Hilda Hilst

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Guardo-te a ti.
Em consideração a mim. Redescoberta.

- Hilda Hilst

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Leva-me sem ódio
e sem amor
despojada de tudo
que não seja
eu mesma. Morna estrutura sem cor
a minha vida. E sem velada beleza.

- Hilda Hilst

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Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. (...)

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst

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